Conceitos de Vida após a Morte entre as Civilizações

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O post de hoje aborda a noção da Vida após a Morte entre diferentes civilizações e religiões. O texto foi retirado do Dicionário das Religiões de John R. Hinnells de 1984. É muito interessante estudar essas percepções perante a essa passagem tão misteriosa… 

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Vida após a morte entre os Ameríndios

A despeito de um falta geral de definição no que concerne ao destino do homem após a morte, as concepções acerca desse destino diferiam sobremodo entre as tribos indígenas da América do Norte. As especulações, de ordinário, estavam intimamente ligadas às concepções de alma, assim como a uma visão particular da vida do homem neste mundo. Em sua maioria, as tribos sustentavam que o homem possuía mais de uma alma (em geral, uma alma “livre” e uma alma da “vida” ou da “respiração”), a primeira das quais abandonava o corpo à hora da morte, demorando-se talvez por algum tempo perto do cadáver, antes de passar ao seu estado final. Entre os Algonquinos, Cherokees e Iroqueses, por exemplo, a alma pode ser obrigada a fazer um teste antes de ingressar na terra dos mortos.

Um xamã serve, às vezes, de guia para a alma. Os costumes mortuários refletem variadas concepções da vida após a morte. De um modo geral, os mortos eram temidos (não pelos SIOUX, notável exceção), e os ritos fúnebres minuciosos destinavam-se a proporcionar à alma uma suave transição para o outro mundo. Com exceção das tribos pueblas (Religiões Pueblas), que possuíam uma concepção pormenorizada da vida após a morte, muitas noções figuravam uma existência vaga, umbrosa, não raro uma continuação indistinta da vida terrena Entre as tribos nômades das pradarias e planícies, era comum a ideia de uma “área de caça feliz”.

Em geral, contudo, não se encarava a vida humana como um campo de prova nem como uma preparação para vida eterna, embora se possam notar influências cristãs anteriores.

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Vida após a morte entre os Antigos Egípcios

A crença na continuação da existência após a morte era comum em todos os níveis da sociedade egípcia antiga, e pondo de parte o Antigo Império (c. de 2600 AEC), quando apenas a vida dos reis no outro mundo era claramente definida (Culto de Rá), ricos e pobres esperavam uma eternidade individual. Com essa finalidade, preparavam-se os túmulos com artigos de uso diários e religioso (práticas funerárias) de acordo com as posses do indivíduo; muitos eram mumificados e mumiam-se de caixões complicados. O conceito complexo da personalidade, que incluía, além do corpo, os elementos imortais – a Ba (alma) e o Ka (espírito) – era a base das crenças e práticas funerárias.

Os egípcios acreditavam que o morto exigiria um corpo preservado e um ambiente tumular (Mansão de Rá) a que o Ka pudesse voltar a fim de partilhar o alimento (oferendas de comidas feitas pelos parentes, sacerdotes do Ka, ou, mais tarde, por meio de modelos de alimento, pinturas nas paredes e um cardápio escrito na parede do túmulo).

Para a realeza, imaginava-se uma vida celestial após a morte, e os ricos aparelhavam generosamente os túmulos para a continuação da sua existência. O culto de Osíris (Tríade Osiríaca), conquanto a princípio associado apenas à realeza, democratizou-se durante o Médio Império (c. de 1900 AEC). Osíris alcançou amola popularidade porque oferecia aos seguidores, independente do status de cada um, a promessa da ressurreição e a continuação da existência lavrando a terra nos “Campos de Caniços”. Isso dependia de uma avaliação satisfatória da vida do indivíduo pelo tribunal divino no Dia do Julgamento, quando o morto recitava a Confissão Negativa, afirmando sua adequação moral.

Seu coração era confrontado na balança com  a pena da verdade; Tot registrava a sentença final. Declarado “justificado”, o morto passava em seguida, para o mundo dos mortos osiríaco, mas o coração dos indignos era devorado por uma criatura.

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Vida após a morte entre os gregos

Na escatologia primitiva todas as sombras (almas) iam para Hades, a terra dos mortos, subterrânea, deprimente e escura. Uma crença que se desenvolveu rapidamente não demorou a contestá-lo: suponha-se que os Heróis escolhidos habitassem um paraíso (Elísio ou Makaron, Nesoi, Ilha dos Afortunados). Os Mysteria e, mais tarde, o orfimos (Orfeu, Orfismo) prometiam uma vida bem-aventurada após a morte, junto aos deuses, a quem se sujeitasse à iniciação e seguisse determinados preceitos – tanto rituais como éticos (que apareceram mais tarde, em quase todos os círculos).

Daí as noções de recompensas e punições post mortem, depois de um julgamento geral espalhado pela corrente principal da escatologia. A encarnação (ética, orfeu) passou a ser uma crença marginal. A imortalidade celestial/astral entre as estrelas do céu surgiu no século V AEC e, subsequentemente, cresceu em popularidade, com inúmeras variantes. Todas essas crenças e dúvidas acerca da vida após a morte coexistiram.

O tardio anseio helenístico por garantias de imortalidade encontrou satisfação sobretudo nos Mysteria e na crença na imortalidade astral.

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Vida após a morte no Antigo Oriente Próximo

Belos objetos funerários tem descobertos em vários sítios do antigo Oriente Próximo, tais como: (1) os túmulos reais de Ur (c. 2500 AEC); (2) uma sepultara na Assíria, aproximadamente da época de Tukulti Ninurta ( c. 1240 AEC) – sendo ambos costumes de cremação e inumação coexistiam na sociedade Hitita – (3) Ugarti, onde se faziam previsões para alimentar os mortos enterrados em câmaras subterrâneas (Fenícios).

Entretanto, a mitologia (Antigas religiões do oriente próximo), nas fontes literárias indica a existência de uma crença geral em que somente os deuses eram imortais, embora até eles pudessem morrer. O homem ou não tinha a esperança de sobreviver após a morte ou, como na mitologia Sumeriana, seu espírito descia a um mundo subterrâneo escuro, onde a vida refletia debilmente as alegrias da existência terrena.

Parece faltar o conceito da ressurreição individual, embora certo número de mitos relembre a história de um deus da vegetação que morre, privando assim a terra de munificência, mas, afinal, volta à vida e devolve a abundância à terra e aos habitantes.

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Vida após a morte no Cristianismo

Tradicionalmente, na visão cristã do Homem, a alma sobrevive à morte. Por ocasião da morte, faz-se um julgamento provisório, que se distingue entre as almas dignas, destinas ao céu, e as indignas, entregues ao castigo eterno no inferno. O Catolicismo Romano ensina que a maioria das almas que se salvam passa por um período de purificação no purgatório, mas no Protestantismo rejeita o citado ensinamento. Uns poucos entram à imediata presença de Deus (visão beatífica). No fim dos tempos, ocorre o Segundo Advento de Jesus Cristo e desce a Nova Jerusalém (Celestial) (o lar dos cristão – cf. Milenarismo). Numa ressurreição geral dos mortos, as almas vestem um corpo transfigurado.

O Juízo Final estabelece o derradeiro destino dos ressurrectos: bem-aventurança eterna no céu ou tormento eterno no inferno.

O céu é também a morada dos anjos, isto é, seres imateriais que agem como mensageiros de Deus e, alguns, como anjos da guarda dos homens. Os católicos lhe oferecem devoção, como fazem com os Santos. O Diabo (Satanás) é o chefe dos anjos maus, caídos em razão do orgulho, que tentam e atormentam os cristãos, mas são entregues ao fogo eterno no Juízo Final. A crença na possessão do demônio era outrora comum e, o exorcismo para afoguentar os demônios ainda é praticado de quando em quando (Demonologia).

Esses ensinamentos foram desenvolvidos pela lenda, pela especulação e pelo folclore. As opiniões cristãs modernas sobre a vida após a morte enfatizam o fato de que tudo o que se fala a seu respeito, altamente simbólico, retrata a bem-aventurança da comunhão com Deus e o sofrimento da separação dele (por exemplo, as “chamas” do inferno). Registrou-se extensa reação contra a noção do castigo eterno. Há quem acredite na imortalidade condicional (em que maus são extintos), ao passo que outros creem no universalismo (salvação final de todos).

A “ressurreição do corpo” também tem sido variadamente interpretada, isto é, não só como a revivescência do corpo físico, mas também como a sobrevivência, de alguma forma, da personalidade.

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E você, acredita que o acontece conosco após a morte?! Diz ae 🙂

Gratidão ao meu amigo LF que generosamente me emprestou este livro incrível! Lembrando que esse texto foi inteiramente retirado dele: “Dicionário das Religiões” por John R. Hinells de 1984 e traduzido por Octávio Mendes Cajado – Composto pela Linoart Ltda.

Leia também: Símbolos: A Triquetra – que explana a visão dos Celtas e Druídas da Vida após a Morte.

+ Nesse artigo fala-se da crença dos Wanadi, tribo indígena brasileira, sobre a Vida após a Morte: Principais Deuses Indígenas Brasileiros

Post: YanRam

Por favor, lembre-se de compartilhar trechos ou textos completos do blog sempre com os devidos créditos!

 

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