Os Ensinamentos Fundamentais da Alquimia e Hermetismo

todo

A transformação do chumbo em ouro é a obra máxima do praticante de alquimia. O que realmente está por traz desse processo, até então misterioso e secreto no qual os alquimistas operavam essa transformação da matéria? Qual o real significado da Grande Obra?
Seriam eles magos ou bruxos?

Antes de prosseguir, devemos ter em mente que os alquimistas se utilizavam de alegorias e símbolos codificados em vários ramos das artes para a difusão dos seus ensinamentos e práticas. Decifra-los e aplica-los à nos mesmos exibirá os maiores segredos a serem revelados.
Aspectos básicos para compreensão da Opus Magnum.

O todo : Parte primordial, fundamental de onde toda matéria emana. O começo e o fim da grande obra. Alpha & Omega. Não necessariamente nos referimos a uma deidade quando falamos do Todo, mas sim da Força Criativa que abrange tudo que existe e não existe. Sua representação simbólica na arte também pode ser encontrada através da “Cobra (ou Dragão) que morde sua própria cauda”, chamado Ouroboros.
O Todo engloba qualquer potencialidade, resultado, probabilidade, qualquer aspecto, seja ele positivo ou negativo.
Enxerga-se que a luz e a sombra são duas faces da mesma moeda perante esse conceito, o que abre caminho para o entendimento do conceito das Forças Opostas.

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As forças opostas: Nesse principio nos examinamos os conceito de dualidade. Na alquimia podemos encontrar o que provavelmente seria a mais facilmente compreendida representação da lei da Polaridade de todas as tradições conhecidas até hoje:  O Sol e a Lua, Enxofre e Mercúrio ou até mesmo o Rei Vermelho e a Rainha Branca. Nas tradições orientais, vemos isso como o conhecido Yin e Yang do Tao.
Geralmente, quando descrita em arte, a lei dos opostos é representada através de dois dragões com características opostas: um alado (volátil), outro sem asas (fixo). Porém, mesmo que sejam forças aparentemente antagônicas, seu objetivo sempre será união, equilíbrio e harmonia. O alquimista reconcilia essas energias no seu interior e as une, separando o puro do impuro, o sutil do espesso através do processo de dissolução e coagulação (Solve et coagula).
Quando feito propriamente e repetido o processo suficientemente, os dois opostos podem se reunir em estado perfeito como um, puro e completo.

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Os três princípios (Tria Prima)

Os três princípios são descritos na alquimia por Mercúrio, Enxofre e Sal ou Espírito, Alma e Corpo respectivamente. Quando os dois princípios opostos do enxofre(+)  e mercúrio(-) se misturam, nos temos o sal (corpo) que reconcilia-os em si para existir na forma material.

Na grande obra, o alquimista trabalha os 3 princípios também através do processo de dissolução e coagulação. Essa dissolução é feita para libertar a alma e o corpo (enxofre e sal) usando mercúrio (espírito). Dessa maneira, a alma e o corpo podem ser purificados e reconciliados. Todas as coisas que existem contem esses três princípios.
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Os quatro aspectos: Fogo, Ar, Água e Terra. Esses aspectos correspondem aos estados conhecidos pela ciência como plasma, gás, líquido e solido respectivamente. Na Kaballah eles são conhecidos como Yod-He-Vav-He.
O fogo corresponde à nossa vontade, força vital ou chi nas tradições orientais.
A água, nossos sentimentos e descreve a fluidez das nossas emoções entre um estado e outro.
O ar é  o nosso intelecto.A Terra, nosso corpo.
A compreensão dos  elementos é essencial para a compreensão das áreas da nossa personalidade que precisam ser refinadas e como refiná-las.
O equilíbrio entre esses aspectos é a chave e se um deles estiver desbalanceado, pode ser compensado por seu correspondente em oposição. Tudo isso direciona o alquimista ao caminho para a integração completa ao seu Eu Verdadeiro.

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A Quintessência: O conceito de espírito na alquimia é de grande importância, pois é visto como o Quinto elemento entre os originais citados acima. A ciência moderna, de certa forma, aceita esse conceito e vê o quinto elemento como éter.
A quintessência não só é uma ‘cola’ que une todos os outros elementos, como também a responsável por mantê-los independentes uns dos outros; e todos os elementos possuem em si parte dela.

Uma vez entendidos os conceitos básicos da alquimia, ainda que resumidamente, vamos nos aprofundar nos processos. Embora todo processo alquímico possa ser aplicado a uma variedade de coisas, esse texto se trata exclusivamente do alquimista em si sendo o próprio experimento. E tudo isso é firmado sob a Lei da Correspondência (“o que está em cima, é como o que está em baixo”), que essencialmente descreve a relação entre o microcosmo e o macrocosmo. Considere a geometria sagrada usando a sequencia Fibonacci. Ela produz a mesma forma em pinhas e em galáxias. Com isso, o alquimista pode trabalhar com algo no plano material, a fim de conhecer sobre as propriedades do plano sutil e vice-versa.

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Nigredo  (escuridão): No inicio do processo, o alquimista gradativamente percebe o estado denso em que sua consciência,  matéria prima na Grande Obra, se encontra. Usa-se a alegoria do chumbo para sua representação. Com o espirito (fogo), podemos dissolver o chumbo no forno alquímico e começar o processo de calcinação, eliminando qualquer energia que estiver bloqueando o crescimento.
Esse pode ser um processo extremamente poderoso, pois frequentemente indica um ponto em que a evolução espiritual é necessária ou iminente. Também é um processo estritamente pessoal, pois o alquimista deve enxergar o mais profundo de sua alma, não importa o quão desconfortante possa ser a principio.

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Cauda Pavonis (estágio intermediário): 

Há controvérsias a respeito do posicionamento desse estágio. Para alguns ocorre depois do Nigredo, para outros depois do Rubedo, porém, para o propósito do texto, utilizaremos a posição atual.

Após mergulhar no subconsciente e obter a visão necessária, o alquimista começa a perceber seu ser como um todo, notando sua alva pureza e experimenta todos os aspectos da claridade da alma. Como Isaac Newton provou com seu experimento do prisma, a claridade que vem de cima pode ser dividida em uma bela exibição de cores.Nos, como seres divinos somos o prisma!

Esse pode ser um estágio de grande euforia, porque novas energias e novos conhecimentos começam a aparecer. Quando o estagio de Cauda Pavonis emerge, e se estabelece uma disciplina, o alquimista encontra a próxima fase:

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Albedo (claridade): Para a compreensão desse estagio, o estudante deve emergir completamente do nigredo, conhecendo profundamente seu inconsciente aparentemente adormecido no vácuo. A fonte de toda a existência aparece do vácuo e é vista como uma luz brilhante. Isso ocorre devido à compreensão da unidade em todas as polaridades, conhecendo a verdadeira origem da vida e a beleza do caminho espiritual, se unificando ao divino novamente. Sua alegoria também pode ser vista no hermafrodita, representação do espírito. O espírito não tem gênero e é associado à pura consciência.

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Rubedo: À medida em que o estagio se desenrola, o espirito começa a se coagular junto a matéria, e o volátil se torna fixo. Isso é feito quando nossa mente consciente mergulha profundamente ao subconsciente, e retorna a consciência como observador. O espirito se funde à alma, purificando e coagulando para se solidificar no corpo material. Similar à alegoria da ressurreição de Cristo, o alquimista pode ser visto também como o corpo solido da luz, purificado e incorruptível!

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Tudo isso é apenas um singelo resumo dos estágios alquímicos que o estudante deve encontrar em seu caminho e para fornecer referencias a matérias futuros.

 

Fonte:  The fundamental Teachings of Alchemy and Hermetism 

Tradução e adaptação: yinconsciente

Por favor, lembre-se de compartilhar trechos ou textos completos do blog sempre com os devidos créditos!

 

 

 

 

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