Axis Mundi – O Grande Eixo entre as dimensões

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“Nenhuma árvore pode crescer aos céus sem que suas raízes toquem o inferno” ~ Carl Jung

A consciência Universal conecta tudo que existe e essa conexão cósmica entre o céu e o inferno, o alto e o baixo, e entre todas as diferentes dimensões é o Pilar do Mundo, a Axis Mundi. Esse elo de ligação ou eixo metafísico é um símbolo bastante comum encontrado em todas as religiões, em todo lugar e na mitologia. É como uma espinha que une todos os reinos do menor para o maior com o mundo humano no centro. Axis Mundi também é referida como a Árvore da Vida, o centro da Terra, o Eixo do Mundo, O Pilar, entre outros.

William F. Romain afirmou em seu livro, “Shamans of the Lost World: A Cognitive Approach to the Prehistoric Religion “Cross Culturally” (em tradução livre: “Xamãs do Mundo Perdido: Uma abordagem cognitiva da religião pré-histórica cruzada culturalmente”) que a Axis Mundi é representada de diferentes formas. Em algumas culturas é simbolizada como a Árvore do Mundo, que liga a parte superior e os mundos inferiores. Outras culturas visualizam a Axis Mundi como uma coluna ou pilar. Ainda assim, outros a descrevem como uma montanha cósmica. Em muitos casos, a Axis Mundi é simbolizada através de templos, cidades e palácios. Diferentes culturas representam a axis mundi por diferentes símbolos, como uma montanha, uma árvore, uma videira, uma coluna de fumaça ou fogo ou até mesmo uma torre, uma escada, um totem, um pilar, uma torre etc. Aqui estão algumas interpretações de este símbolo místico.

Axis Mundi no Hinduismo

Vedas, Upanishads e Puranas falam da Axis Mundi em muitos capítulos e a citam em muitos costumes. A Upanishad Katha a descreve como “asvattha eterna (na literatura espiritual, essa árvore é representada de cabeça para baixo com suas raízes expostas acima. É chamada de Árvore do Samsara (ciclo). Asvattha é o nome em Sânscrito para Peepal ou Figueira) cujas raízes sobem ao alto e cujos ramos crescem abaixo. É a pureza, o brahman, que é chamado de não-morte onde todo o mundo descansa. Até mesmo em contos mitológicos, a Montanha Meru na Índia e a Montanha Kalisash no Tibet são consideradas as Axis Mundi, o ponto mais próximo onde a Terra e o Céu se unem e uma comunicação limpa toma lugar.

Axis Mundi no Xamanismo

Xamãs viajam através do tempo e espaço para curar e recuperar pedaços de alma e reunir a sabedoria de outros reinos (Leia: Os Seis Reinos do Samsara). A ciência mística do xamãnismo acredita na presença da Axis Mundi como o caminho central que conecta acima, o meio, e o abaixo, como também as quatro dimensões, que permitem o curandeiro viajar.

H.S. Webb em “Explorando o Xamãnismo: Usando Ritos Antigos para Descobrir o Ilimitado Poder de Cura do Cosmos e da Consciência”, menciona que o xamã se desanexa de seu ego e entra em um estado de possibilidades. “No espaço, um tumor cancerígeno pode encolher e desaparecer dentro de instantes. Nesse espaço, o xamã pode ver a localização da criança perdida… Nesse espaço de todo o tempo e tempo algum, todo o espaço e o não-espaço, essa magia é traduzida no mundo físico. O espaço em que isso acontece é conhecido por muitos nomes, aqui é referido como Axis Mundi, o pilar central do mundo.”

Axis Mundi no Buddismo

A Árvore Bodhi na qual Buda se iluminou é considerada uma representação da Axis Mundi, pois é considerada a árvore da reconciliação entre o macrocosmo e o microcosmo. O livro “Relíquias, Rituais e Representação no Budismo: Rematerialização a tradição Theravada do Sri Lanka” por Kevin Trainor afirmou, “trazendo um ramo da árvore Bodhi para Lanka, a própria ilha tornou-se parte deste eixo”. Até mesmo os Stupas são considerados pólos celestiais, onde a comunicação entre os reinos superiores e inferiores é possível. Como as escadarias se elevando aos céus que estão presentes em diversos locais sagrados retrata a ascensão da alma para o céu.

Axis Mundi I

Axis Mundi nos Seres Humanos

Situado entre os reinos superiores e inferiores, os seres humanos são considerados a própria imagem da Axis Mundi. O sistema dos chackras é baseado no conceito do pólo cósmico, onde o praticante com a ajuda da meditação pode chegar a um estado de nada. Acredita-se que o corpo humano é um templo e com a oração a ponte entre os dois extremos pode ser construída. Homem Vitruviano de Leonardo Da Vinci representou uma exploração simbólica e matemática da forma humana como eixo do mundo.

Axis Mundi na Natureza

A Natureza é a maior professora da humanidade, e através de seus diversos significados que nos mantém lembrando dos projetos e conceitos sagrados. Há montanhas sagradas que são consideradas a Axis Mundi em várias religiões. Além das que já citamos acima, o Monte Fuji no Japão e o Monte Zion dos antigos hebraicos, o Monte Olímpio na mitologia grega e o Monte Sioux no Black Hills também representam a Axis Mundi. Muitos templos Hindus são localizados nos picos mais altos das montanhas, como o Vaishno Devi, Amarnath, Tirupati e muitos outros, remetem a sua simbologia sagrada (Leia: Simbolismo: A Montanha e A Caverna). A montanha age como uma porta livre para a comunicação entre os dois pólos e um balanceamento energético. Essa é a razão pela qual os buscadores da felicidade eterna precisam ir às montanhas para uma jornada espiritual. Por outro lado, árvores também representam o centro do mundo (Leia: Simbologia das Árvores, Plantas, Frutas). Outra representação simbólica da Axis Mundi é na árvore cósmica, na qual os galhos são os céus, o tronco é a Terra e as raízes são o submundo, que representam as três dimensões. O Bhagavad Gita clama a Árvore Banyan como a Axis Mundi, em hindu é dita como “Ashwath Vrikasha”, que significa “Eu sou Banyan, a árvore entre as árvores”. Árvore Bodhi, Yggdrasil na mitologia nórdica, o Carvalho de Thor, etc. Os lugares que a Axis Mundi é representada são considerados o ‘Omphalos” ou o umbigo em português. Há séculos a humanidade tem entrado em contato com esses pólos cósmicos e tem sido capazes de se projetar para outros reinos a fim de buscar e trazer conhecimento. E nos tempos modernos a Axis Mundi faz parte da arquitetura como o Monumento de Washington, a Torre Eiffel em Paris, Peace Pagodas, etc. Com múltiplas interpretações e aceitação em várias culturas, o assunto segue sendo de grande interesse para aqueles que buscam uma compreensão de outros reinos.

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Este texto traz a tona a percepção de que tudo se conecta, e que para atingir os céus, é necessário fazer-se raízes no inferno…!

Em meio ao post há indicações de outras leituras que podem te ajudar nos estudos 🙂

Obrigado!

Fontes: FractalEnlig. + Wiki + Exploring Shamanism: Using Ancient Rites to Discover the Unlimited Healing Powers of Cosmos and Consciousness + Relics, Ritual, and Representation in Buddhism: Rematerializing the Sri Lankan Theravada Tradition by Kevin Trainor

Tradução: NM

Por favor, lembre-se de compartilhar trechos ou textos completos do blog sempre com os devidos créditos!

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2 comentários sobre “Axis Mundi – O Grande Eixo entre as dimensões

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